Conselho Federal autoriza enfermeiros a prescreverem antibióticos: entenda o que muda na prática

Conselho Federal autoriza enfermeiros a prescreverem antibióticos: entenda o que muda na prática


Uma nova decisão do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) está gerando grande repercussão em todo o Brasil. Em janeiro de 2026, o órgão publicou uma resolução que autoriza enfermeiros a prescreverem alguns antibióticos, desde que sigam protocolos e diretrizes clínicas estabelecidas.

A medida divide opiniões entre profissionais da saúde e levanta importantes discussões sobre segurança do paciente, uso racional de antibióticos e atribuições profissionais.

Neste artigo, você vai entender o que foi autorizado, quais medicamentos estão incluídos e quais os impactos para o SUS, farmácias e profissionais da saúde.


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O que foi autorizado pelo Cofen?


O Cofen publicou uma resolução que permite que enfermeiros realizem a prescrição de determinados antibióticos, dentro de condições específicas.

Segundo a norma, a prescrição deve ocorrer:

  • Com base em protocolos clínicos oficiais

  • Dentro de rotinas institucionais

  • Em serviços de saúde, especialmente no SUS

  • Com o profissional devidamente registrado no Conselho Regional de Enfermagem (Coren)



Quais antibióticos estão incluídos?


Até o momento, os antibióticos autorizados para prescrição por enfermeiros são:

  • Amoxicilina

  • Azitromicina

  • Eritromicina

Esses medicamentos são comumente utilizados no tratamento de infecções respiratórias, de pele e algumas infecções bacterianas simples, especialmente na Atenção Primária à Saúde.



Por que essa mudança foi possível?


A mudança também está relacionada a atualizações feitas pela Anvisa no SNGPC (Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados), que passou a reconhecer o número do Coren para fins de registro de prescrições.

Com isso, tecnicamente, as farmácias passaram a ter condições de aceitar receitas emitidas por enfermeiros, desde que estejam de acordo com a regulamentação.



Onde essa prescrição deve acontecer?


A principal aplicação da medida ocorre em:

  • Unidades Básicas de Saúde (UBS)

  • Atenção Primária à Saúde

  • Programas específicos do SUS (como ISTs, tuberculose, entre outros)

  • Serviços com protocolos institucionais definidos

A intenção, segundo o Cofen, é ampliar o acesso ao tratamento, especialmente em regiões com dificuldade de acesso a médicos.



Polêmica: entidades médicas são contra


A decisão gerou forte reação do Conselho Federal de Medicina (CFM) e de outras entidades médicas.

Os principais argumentos contrários são:

  • Prescrição de antibióticos exige diagnóstico médico

  • Risco de:

    • Uso inadequado de antimicrobianos

    • Aumento da resistência bacteriana

    • Prejuízos à segurança do paciente

  • Possível extrapolação das atribuições legais da enfermagem

O tema pode, inclusive, parar na Justiça.



Impacto para farmácias e farmacêuticos


Para os farmacêuticos, a mudança traz impactos diretos na rotina:

✔️ O que muda no balcão

  • Farmácias poderão receber receitas assinadas por enfermeiros

  • Será necessário conferir:

    • Nome do profissional

    • Número do Coren

    • Se o antibiótico está dentro da lista permitida

    • Se a prescrição segue protocolos

✔️ Maior responsabilidade técnica

O farmacêutico terá papel ainda mais importante no:

  • Uso racional de antibióticos

  • Orientação ao paciente

  • Identificação de possíveis erros de prescrição

  • Prevenção da automedicação e da resistência bacteriana



O que isso significa para o SUS e para a população?


Segundo defensores da medida, os possíveis benefícios incluem:

  • Maior agilidade no atendimento

  • Redução de filas

  • Ampliação do acesso ao tratamento

Por outro lado, críticos alertam para riscos importantes, especialmente se não houver:

  • Fiscalização adequada

  • Capacitação contínua

  • Protocolos bem definidos

  • Integração entre equipes multiprofissionais



Tema quente para concursos e provas


Essa mudança é um prato cheio para bancas de concurso público. Pode cair em provas temas como:

  • Atribuições profissionais

  • Prescrição medicamentosa

  • SNGPC

  • Uso racional de antimicrobianos

  • Conflitos entre conselhos profissionais



A autorização para enfermeiros prescreverem antibióticos representa uma mudança significativa no modelo de atenção à saúde no Brasil. Apesar de buscar ampliar o acesso, a medida também levanta preocupações legítimas sobre segurança do paciente e resistência bacteriana.


Independentemente das disputas entre categorias, fica claro que o uso racional de antibióticos deve continuar sendo prioridade — e o farmacêutico segue como peça-chave nesse processo.








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