
Novo remédio para calvície pode estimular o crescimento dos cabelos; conheça as pesquisas e o que já se sabe
Pesquisas com medicamentos experimentais estão ampliando as possibilidades de tratamento da calvície. Entre as novidades estão o VDPHL01, uma formulação de minoxidil de liberação prolongada, e o PP405, desenvolvido para estimular células-tronco dos folículos capilares. Apesar dos resultados iniciais promissores, nenhum dos dois deve ser tratado como uma cura comprovada ou como um medicamento já disponível para uso rotineiro.
A busca por tratamentos mais eficazes contra a calvície ganhou destaque em outubro de 2026, após a divulgação de novidades sobre medicamentos em desenvolvimento. As pesquisas procuram melhorar o crescimento dos fios e, em determinadas abordagens, estimular folículos capilares que apresentam atividade reduzida.
Entre as substâncias que despertam interesse estão o VDPHL01, citado em reportagem da revista VEJA, e o PP405, que ganhou atenção por sua proposta de atuar no metabolismo das células-tronco dos folículos capilares.
As duas pesquisas seguem caminhos diferentes, mas têm um objetivo em comum: ampliar as alternativas para pessoas que convivem com a queda de cabelo e com a alopecia androgenética, conhecida popularmente como calvície.
O que é o novo medicamento para calvície VDPHL01?
O VDPHL01 é uma formulação oral experimental de minoxidil desenvolvida para liberar o princípio ativo de maneira prolongada. A proposta é favorecer o crescimento dos cabelos mantendo uma exposição mais estável ao medicamento.
O minoxidil já é conhecido no tratamento da queda de cabelo. Entretanto, sua utilização por via oral exige atenção especial, pois pode provocar efeitos cardiovasculares, incluindo queda da pressão arterial, aceleração dos batimentos cardíacos e retenção de líquidos.
A formulação VDPHL01 foi desenvolvida com o objetivo de melhorar o perfil de tratamento por meio da liberação prolongada do minoxidil. Isso não significa, porém, que esteja comprovadamente livre de riscos.
Segundo informações divulgadas pela empresa responsável pelo desenvolvimento, o medicamento apresentou resultados positivos em estudos clínicos com homens e mulheres com perda capilar de padrão androgenético. Os resultados ainda precisam ser avaliados no conjunto das pesquisas e do processo regulatório.
Importante: o VDPHL01 não deve ser confundido com uma molécula completamente diferente do minoxidil. A inovação está principalmente na formulação e na forma de liberação do princípio ativo.
O medicamento VDPHL01 já demonstrou resultados?
Sim. A empresa Veradermics divulgou resultados positivos de um estudo clínico de fase 2/3 realizado com homens que apresentavam queda de cabelo de padrão androgenético.
Em abril de 2026, os resultados preliminares divulgados para o estudo indicaram aumento médio de aproximadamente 30,3 a 33 fios por centímetro quadrado na área avaliada após seis meses de tratamento, dependendo do esquema de administração. No grupo que recebeu placebo, o aumento médio foi de aproximadamente 7,3 fios por centímetro quadrado.
Esses números representam resultados de uma área específica do couro cabeludo avaliada no estudo, e não o crescimento de todos os fios da cabeça.
Em outro estudo, realizado com mulheres, a empresa também comunicou resultados favoráveis após seis meses de tratamento. A pesquisa identificou aumento na contagem de fios e melhora percebida na cobertura capilar por parte de muitas participantes.
Apesar dos resultados animadores, é necessário considerar que os dados divulgados pela própria desenvolvedora não substituem a avaliação completa dos estudos, a análise de segurança a longo prazo e a aprovação das autoridades sanitárias.
Fonte: Veradermics — resultados clínicos do VDPHL01.
PP405: o medicamento experimental que pretende reativar folículos capilares
Outra novidade é o PP405, uma substância experimental desenvolvida pela Pelage Pharmaceuticals.
Diferentemente do minoxidil, que atua estimulando o crescimento capilar, o PP405 está sendo investigado por sua capacidade de interferir em processos metabólicos relacionados à ativação das células-tronco dos folículos capilares.
Essas células participam dos ciclos naturais de crescimento e repouso dos cabelos. A proposta da pesquisa é estimular folículos que ainda existem, mas que apresentam atividade reduzida.
Em termos simples, os pesquisadores procuram descobrir se é possível fazer determinados folículos voltarem a produzir fios de maneira mais ativa.
Isso não significa que o tratamento consiga recuperar qualquer área completamente sem cabelo. A resposta depende das características dos folículos e dos resultados que forem confirmados em estudos clínicos maiores.
O que os estudos do PP405 mostraram?
Em 2025, a empresa divulgou resultados preliminares de um estudo de fase 2a que incluiu 78 homens e mulheres com alopecia androgenética.
Segundo os dados apresentados, o tratamento tópico atingiu o objetivo principal de segurança estabelecido para o estudo. Em uma análise exploratória, 31% dos homens com maior grau de perda capilar que receberam PP405 apresentaram aumento superior a 20% na densidade de cabelos na oitava semana, enquanto nenhum participante do grupo placebo apresentou esse mesmo resultado.
É importante interpretar esses números com cautela. O estudo foi pequeno e teve duração limitada. Além disso, seu objetivo principal era avaliar a segurança, e não comprovar definitivamente a eficácia do medicamento.
Em 14 de outubro de 2026, a Pelage Pharmaceuticals anunciou o início do tratamento do primeiro participante de um novo estudo de fase 2/3, denominado AWAKEN, destinado a avaliar a eficácia e a segurança do PP405 em homens com alopecia androgenética.
O início dessa nova etapa é relevante para o desenvolvimento da substância, mas não representa aprovação para comercialização.
Fonte: Pelage Pharmaceuticals — atualizações oficiais sobre o PP405.
Qual é a diferença entre VDPHL01 e PP405?
Embora os dois medicamentos estejam sendo pesquisados para tratar a queda de cabelo, suas propostas são diferentes.
| Característica | VDPHL01 | PP405 |
|---|---|---|
| Tipo de tratamento | Formulação oral de minoxidil | Substância experimental de uso tópico |
| Estratégia | Liberar minoxidil de forma prolongada | Investigar a ativação de células-tronco foliculares |
| Objetivo | Estimular o crescimento dos cabelos | Estimular a atividade de folículos com potencial de crescimento |
| Situação | Em desenvolvimento clínico | Em desenvolvimento clínico |
| Já é tratamento aprovado para calvície? | Não | Não |
A comparação não permite afirmar que um medicamento seja superior ao outro. Para isso, seriam necessários estudos adequados, com resultados consistentes e comparáveis.
O novo remédio pode substituir o minoxidil e a finasterida?
Ainda não é possível afirmar que qualquer uma dessas novidades substituirá os tratamentos tradicionais.
O minoxidil e a finasterida possuem mecanismos de ação diferentes. O minoxidil pode estimular o crescimento capilar, enquanto a finasterida reduz a ação da enzima responsável pela conversão da testosterona em di-hidrotestosterona (DHT), hormônio envolvido na progressão da alopecia androgenética.
O VDPHL01 procura aperfeiçoar a administração oral do minoxidil. Já o PP405 investiga uma abordagem relacionada ao metabolismo e à ativação dos folículos capilares.
Mesmo que os resultados iniciais sejam positivos, será necessário avaliar a eficácia em diferentes pacientes, os possíveis efeitos adversos, a duração dos benefícios e a necessidade de manter o tratamento.
Por isso, quem já utiliza medicamentos contra a calvície não deve interromper ou substituir a terapia por conta própria.
Quando os novos medicamentos poderão chegar às farmácias?
Ainda não há uma data confirmada para que o VDPHL01 ou o PP405 sejam disponibilizados rotineiramente no Brasil.
O desenvolvimento de um medicamento envolve várias etapas, incluindo estudos clínicos, avaliação dos resultados, análise de segurança e autorização das autoridades regulatórias.
Nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA) avalia pedidos de autorização de medicamentos. No Brasil, a comercialização também depende do cumprimento das exigências sanitárias aplicáveis, incluindo as da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A conclusão de uma fase de pesquisa não significa que o produto esteja automaticamente autorizado para venda. Mesmo quando uma empresa divulga resultados positivos, ainda pode ser necessário apresentar novos dados e aguardar decisões regulatórias.
Até que haja autorização e disponibilidade regular, os produtos anunciados na internet com esses nomes não devem ser considerados equivalentes aos medicamentos experimentais utilizados nos estudos.
Quais são os tratamentos para calvície disponíveis atualmente?
O tratamento depende da causa da queda de cabelo, da idade, do histórico clínico e das características do couro cabeludo.
Entre as alternativas utilizadas em situações específicas estão:
Minoxidil tópico: pode ajudar a estimular o crescimento dos cabelos em determinados tipos de alopecia.
Finasterida: medicamento utilizado principalmente no tratamento da alopecia androgenética masculina, mediante avaliação profissional.
Outras abordagens dermatológicas: podem ser consideradas conforme o diagnóstico e as características de cada paciente.
Transplante capilar: pode ser uma alternativa para pessoas selecionadas, após avaliação especializada.
A escolha deve ser individualizada. A finasterida possui contraindicações e possíveis efeitos adversos, enquanto o minoxidil também exige cuidados e pode causar irritação local ou outros efeitos, dependendo da apresentação e da forma de uso.
O minoxidil oral merece atenção especial porque pode afetar a pressão arterial e o sistema cardiovascular. Sua utilização para queda de cabelo deve ser avaliada e acompanhada por profissional habilitado.
Toda queda de cabelo é calvície?
Não. A queda dos fios pode estar relacionada a diferentes condições, e nem todas são causadas pela alopecia androgenética.
Entre as possíveis causas estão:
Predisposição genética e fatores hormonais;
Deficiência de ferro ou outras deficiências nutricionais;
Alterações da tireoide;
Estresse físico ou emocional intenso;
Doenças recentes e determinados medicamentos;
Problemas inflamatórios ou outras doenças do couro cabeludo.
Na alopecia androgenética, geralmente ocorre afinamento progressivo dos fios em regiões características. Em outras condições, a queda pode ser mais difusa ou aparecer de maneira relativamente rápida.
Por isso, identificar a causa é essencial. Dependendo do quadro, o dermatologista pode solicitar exames para investigar fatores associados à perda capilar.
Como cuidar dos cabelos enquanto novas pesquisas avançam?
Alguns cuidados ajudam a preservar a saúde dos fios, embora não eliminem necessariamente a calvície genética.
Manter uma alimentação equilibrada, evitar dietas muito restritivas, cuidar do couro cabeludo e procurar avaliação quando a queda se torna persistente são medidas importantes.
Também é recomendável evitar suplementos, loções e medicamentos vendidos com promessas de crescimento rápido sem comprovação adequada.
A queda súbita, o aparecimento de falhas arredondadas, a presença de dor, vermelhidão ou descamação intensa e a perda de cabelo acompanhada de outros sintomas merecem avaliação profissional.
Quanto mais cedo a causa for identificada, maiores são as possibilidades de escolher uma abordagem apropriada para o problema.
Conclusão
As pesquisas com VDPHL01 e PP405 representam caminhos diferentes para o desenvolvimento de novos tratamentos contra a calvície. Enquanto o primeiro procura aperfeiçoar a liberação oral do minoxidil, o segundo investiga mecanismos relacionados à ativação das células-tronco dos folículos capilares.
Os resultados iniciais despertam interesse, mas ainda não permitem afirmar que essas substâncias sejam curas definitivas ou que sejam superiores a todos os tratamentos existentes.
A expectativa é que os estudos em andamento forneçam respostas mais claras sobre eficácia, segurança e duração dos benefícios.
Até lá, a recomendação é procurar um dermatologista para identificar a causa da queda de cabelo e escolher o tratamento mais adequado, sem recorrer a produtos experimentais ou interromper medicamentos por conta própria.
Aviso: este artigo tem finalidade informativa e não substitui consulta, diagnóstico ou orientação médica individualizada.
FAQ - Perguntas Frequentes
1. Quanto tempo devo esperar entre tomar um remédio e beber café ou leite?
O ideal é aguardar de 30 a 60 minutos após a ingestão do medicamento para consumir bebidas como café, leite ou sucos, garantindo a absorção adequada.
2. Posso quebrar ou mastigar o comprimido para facilitar a engolição?
Apenas se houver indicação na bula ou orientação do farmacêutico/médico. Muitos comprimidos possuem revestimento especial para liberação prolongada ou proteção gástrica que não deve ser destruído.
3. Posso tomar remédio com água gelada?
Sim. A temperatura da água não interfere na eficácia do medicamento, desde que seja água pura.
Fontes consultadas:
VEJA — Novo remédio para calvície vem por aí e promete desbancar os clássicos
Tua Saúde — Cientistas podem ter achado uma forma de “acordar” os fios



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