
Anvisa atualiza cartilha sobre uso seguro de fitoterápicos e plantas medicinais
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atualizou uma cartilha e um folder com orientações para o uso correto e seguro de plantas medicinais e fitoterápicos.
A atualização foi publicada em setembro de 2026 e tem como objetivo ajudar a população a entender melhor esses produtos, suas diferenças, formas adequadas de utilização e os riscos relacionados ao uso de produtos irregulares.
A iniciativa também está relacionada ao novo marco regulatório dos medicamentos fitoterápicos aprovado pela Anvisa em dezembro de 2025.
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Anvisa orienta população sobre o uso de fitoterápicos
De acordo com a Anvisa, utilizar uma planta medicinal de forma segura exige conhecimento sobre diversos aspectos, incluindo qual planta deve ser utilizada, qual parte da planta é indicada, como realizar o preparo e para qual finalidade ela pode ser utilizada.
Isso é importante porque o fato de um produto ter origem natural não significa que ele seja automaticamente seguro.
A utilização inadequada de plantas medicinais e fitoterápicos pode provocar efeitos adversos, interações com outros medicamentos e outros problemas de saúde.
A nova publicação procura justamente facilitar o acesso da população a informações confiáveis.
Qual é a diferença entre planta medicinal e fitoterápico?
Um dos objetivos da cartilha é esclarecer que planta medicinal e medicamento fitoterápico não são necessariamente a mesma coisa.
A planta medicinal é utilizada com finalidade terapêutica, enquanto o medicamento fitoterápico é obtido a partir de matérias-primas vegetais e está sujeito às regras sanitárias aplicáveis aos medicamentos.
A Anvisa também chama atenção para outros produtos que podem ter origem natural, mas possuem características e regulamentações diferentes.
Entre eles estão:
Plantas medicinais;
Medicamentos fitoterápicos;
Suplementos alimentares;
Vitaminas;
Medicamentos homeopáticos;
Produtos opoterápicos.
Por isso, é importante verificar corretamente a categoria do produto antes de utilizá-lo.
Produto natural não significa produto sem riscos
Um dos principais alertas relacionados ao uso de plantas medicinais e fitoterápicos é a ideia equivocada de que tudo aquilo que é natural é necessariamente seguro.
Esse entendimento pode levar à automedicação e ao uso de produtos sem procedência ou sem orientação adequada.
Segundo a Anvisa, produtos irregulares podem conter substâncias potencialmente tóxicas e provocar problemas que vão desde reações adversas mais leves até consequências graves, inclusive risco de morte.
Por esse motivo, é importante verificar a procedência do produto e utilizar somente produtos regularizados quando se tratar de medicamentos ou produtos sujeitos à regulamentação sanitária.
Como usar plantas medicinais com segurança?
A cartilha atualizada pela Anvisa destaca que não basta conhecer apenas o nome popular de uma planta.
É necessário considerar informações como:
Qual planta está sendo utilizada?
Algumas plantas possuem nomes populares diferentes dependendo da região, o que pode aumentar o risco de confusão.
Qual parte da planta deve ser utilizada?
Dependendo da espécie, diferentes partes podem apresentar diferentes componentes químicos e propriedades.
Como preparar?
O método de preparo também é importante. Uma planta pode exigir uma forma específica de preparação para que seja utilizada adequadamente.
Qual é a indicação?
O uso deve estar relacionado à finalidade indicada para aquele produto ou planta.
Existe interação com outros medicamentos?
Esse é outro ponto importante, principalmente para pessoas que utilizam medicamentos continuamente.
Por isso, o uso de plantas medicinais e fitoterápicos deve ser encarado com o mesmo cuidado dedicado a outros produtos utilizados para fins terapêuticos.
Fitoterápicos também podem causar efeitos adversos
Os medicamentos fitoterápicos possuem substâncias biologicamente ativas e, portanto, podem produzir efeitos no organismo.
Isso significa que podem ocorrer:
efeitos adversos;
contraindicações;
interações medicamentosas;
problemas relacionados à dose;
riscos decorrentes do uso inadequado.
Pessoas que utilizam medicamentos continuamente devem ter atenção especial antes de iniciar um fitoterápico.
A orientação de um profissional de saúde pode ajudar a identificar possíveis riscos e evitar combinações inadequadas.
Anvisa também alerta para produtos irregulares
Outro ponto importante abordado nos materiais atualizados é a diferenciação entre produtos autorizados e produtos irregulares.
Produtos comercializados sem a devida regularização podem apresentar composição desconhecida, problemas de qualidade ou substâncias que não deveriam estar presentes.
Por isso, o consumidor deve ter cuidado com produtos vendidos informalmente, especialmente aqueles que prometem resultados rápidos para emagrecimento, tratamento de doenças ou outras condições de saúde.
A origem natural de um produto não substitui a necessidade de controle de qualidade e segurança.
Novo marco regulatório dos fitoterápicos
A atualização da cartilha ocorre após a publicação de novas normas para a regularização de fitoterápicos industrializados.
Em dezembro de 2025, a Anvisa aprovou a RDC nº 1.004/2025, relacionada ao registro e à notificação de medicamentos fitoterápicos. Também foram publicadas instruções normativas relacionadas ao setor.
Segundo a Anvisa, o novo marco regulatório buscou modernizar as regras para esses medicamentos e considerar as características específicas dos produtos obtidos a partir de plantas.
A agência informou ainda que as novas regras levam em consideração os diferentes níveis de conhecimento científico existentes sobre as plantas utilizadas como matéria-prima.
Por que a cartilha é importante?
A divulgação de informações oficiais é importante porque muitas pessoas utilizam plantas medicinais por tradição familiar ou recomendação de conhecidos.
O problema ocorre quando o uso é feito sem conhecimento sobre:
dose;
forma de preparo;
indicação;
contraindicações;
interações medicamentosas;
qualidade e procedência;
condições específicas do paciente.
A cartilha da Anvisa funciona como uma ferramenta de educação em saúde para ajudar a população a tomar decisões mais seguras.
Orientação profissional continua sendo importante
O farmacêutico possui papel importante na promoção do uso racional de medicamentos, incluindo a orientação sobre produtos fitoterápicos dentro de suas atribuições profissionais.
Na prática, a orientação pode contribuir para identificar possíveis problemas relacionados ao uso simultâneo de medicamentos e fitoterápicos, além de esclarecer dúvidas sobre a utilização adequada dos produtos.
Isso é especialmente relevante para pessoas que fazem uso contínuo de medicamentos, idosos e indivíduos que apresentam condições de saúde que exigem acompanhamento profissional.
2. Modernização regulatória e estímulo à indústria nacional
A RDC nº 1.004/2025 simplificou e desburocratizou o registro e a notificação de fitoterápicos industrializados. O Brasil possui a maior biodiversidade do mundo, mas historicamente subaproveitou esse potencial na indústria farmacêutica devido a travas regulatórias. Modernizar as regras mantendo a exigência de eficácia e segurança estimula a inovação, a pesquisa científica e o fortalecimento da flora nacional na medicina oficial.
3. Enfrentamento ao mercado informal e clandestino
O mercado informal de "produtos naturais" e "compostos emagrecedores" é um problema grave no país. Muitos desses produtos irregulares contêm adulterantes ocultos (como ansiolíticos, diuréticos e laxantes sintéticos não declarados) ou contaminações por fungos e metais pesados. Educar a população sobre como diferenciar um medicamento fitoterápico regularizado de um produto clandestino é fundamental para prevenir intoxicações graves.
4. Valorização do farmacêutico e da Assistência Farmacêutica
A orientação profissional no ponto de venda e na atenção primária do SUS é o elo que transforma a intenção de uso em tratamento seguro. O farmacêutico desempenha um papel central na promoção do uso racional, na identificação de interações medicamentosas e na orientação sobre a fitoterapia baseada em evidências.
FAQ - Perguntas Frequentes
1. Por que o uso de plantas medicinais sem orientação pode ser perigoso?
Porque as plantas possuem compostos químicos ativos que atuam no organismo da mesma forma que os medicamentos sintéticos. O uso incorreto pode causar reações alérgicas, toxicidade em órgãos como o fígado e os rins, ou interferir na ação de outros remédios que o paciente já utilize.
2. Qual a vantagem de optar por um fitoterápico industrializado em relação à planta in natura?
O fitoterápico industrializado oferece padronização de dose e controle de qualidade. Isso garante que cada comprimido ou gota contenha exatamente a quantidade necessária da substância ativa, livre de contaminações microbianas, agrotóxicos ou metais pesados.
3. Como a RDC nº 1.004/2025 impacta o acesso da população aos fitoterápicos?
Ao modernizar e simplificar os critérios de registro e notificação, a norma facilita a entrada de novos produtos seguros no mercado, aumentando as opções terapêuticas disponíveis e estimulando preços mais competitivos.
4. Onde o consumidor pode consultar se um produto fitoterápico é liberado pela Anvisa?
A consulta pode ser feita diretamente no portal oficial da Anvisa (gov.br/anvisa), na aba de consulta a produtos e medicamentos regularizados, ou confirmando a presença do número de registro/notificação e as informações do farmacêutico responsável na embalagem do produto.
A atualização da cartilha sobre fitoterápicos e plantas medicinais reforça a importância do uso consciente e seguro desses produtos.
Embora muitas plantas sejam utilizadas tradicionalmente, seu uso não deve ser considerado automaticamente isento de riscos. A escolha da planta, a parte utilizada, a forma de preparo, a indicação e as possíveis interações são fatores que precisam ser considerados.
A orientação da Anvisa busca justamente ampliar o acesso da população a informações confiáveis e ajudar a reduzir os riscos associados ao uso inadequado ou de produtos irregulares.
Informação, procedência e orientação profissional são fundamentais para promover o uso racional e seguro de plantas medicinais e fitoterápicos.
Onde encontrar a cartilha da Anvisa?
A cartilha e o folder atualizados estão disponíveis nos canais oficiais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O material apresenta informações destinadas à população sobre plantas medicinais, fitoterápicos e outros produtos de origem natural.
A Anvisa disponibiliza os documentos gratuitamente em seu portal oficial.
Confira a publicação oficial da Anvisa:
Anvisa – Cartilha e folder atualizados sobre o uso de fitoterápicos
Confira também a divulgação do Conselho Federal de Farmácia:
Conselho Federal de Farmácia – Anvisa publica cartilha sobre uso seguro de fitoterápicos e plantas medicinais
Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação individualizada de profissional de saúde.

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