Preocupante! Maioria dos profissionais no Brasil faz uso de medicamentos psiquiátricos

Maioria dos profissionais no Brasil faz uso de medicamentos psiquiátricos: pesquisa revela aumento preocupante


O consumo de medicamentos psiquiátricos entre profissionais brasileiros mais do que dobrou em apenas um ano, de acordo com levantamento realizado pela The School of Life, em parceria com a consultoria Robert Half. O estudo mostra que, entre líderes, o uso subiu de 18% em 2024 para 52% em 2025, enquanto entre os colaboradores o crescimento foi de 21% para 59%.

Esses números reforçam a gravidade da crise de saúde mental no ambiente corporativo, marcada por estresse, ansiedade e burnout.


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Estresse, ansiedade e burnout em alta


Segundo o psiquiatra Arthur Guerra, professor da USP e da Faculdade de Medicina do ABC, fatores como excesso de demandas, cobrança intensa por resultados e conflitos interpessoais são os principais gatilhos para o adoecimento psicológico.

O estudo aponta que os diagnósticos de estresse, ansiedade e burnout atingiram 27% dos líderes e 26% dos liderados, indicando que o problema é generalizado, independentemente do nível hierárquico.



Medicamentos como “muleta” e risco da automedicação


Embora os psicofármacos ofereçam alívio temporário, especialistas alertam que muitos profissionais os utilizam como uma espécie de “muleta”. A diretora criativa da The School of Life, Jackie de Botton, compara esse uso a um analgésico:

“Eles aliviam momentaneamente, mas não tratam as causas estruturais do problema, como falhas de comunicação, ambientes punitivos e falta de valorização”.

Outro ponto crítico é a automedicação, impulsionada pela facilidade de acesso a informações na internet e até mesmo pelo uso de ferramentas de inteligência artificial para obter diagnósticos sem orientação médica.



Impactos nas empresas e aumento dos afastamentos


O reflexo dessa crise também é sentido no ambiente corporativo. Dados da VR revelam que, entre janeiro e julho de 2025, os afastamentos por saúde mental aumentaram 143% em relação ao mesmo período de 2024.

No ano passado, o Brasil já havia registrado o maior número de licenças médicas por transtornos mentais em uma década, ultrapassando 470 mil afastamentos.



Tabu e silêncio no ambiente de trabalho


Apesar da gravidade do cenário, falar sobre saúde mental no trabalho ainda é tabu. A pesquisa mostra que 73% dos gestores e 33% dos funcionários não se sentem à vontade para revelar o uso de medicamentos, muitas vezes por medo de julgamento ou punição.

Segundo especialistas, essa cultura de silêncio mina a confiança, dificulta a criação de ambientes saudáveis e aumenta a vulnerabilidade emocional.



Falta de adesão à NR-1 preocupa especialistas


Outro dado alarmante é a baixa adesão das empresas à NR-1, norma que determina a adoção de medidas preventivas contra riscos psicossociais. Apenas um terço dos líderes afirma que sua organização aplica estratégias estruturadas para lidar com o problema.

Para os pesquisadores, enfrentar a crise exige ações consistentes, como:

  • comunicação clara e transparente;

  • definição de metas realistas;

  • programas de suporte emocional.

Tais medidas beneficiam não apenas os trabalhadores, mas também a sustentabilidade e produtividade das empresas.



O aumento do uso de medicamentos psiquiátricos entre profissionais no Brasil expõe uma crise de saúde mental que vai além do consultório médico e impacta diretamente o ambiente corporativo. Se não houver mudanças estruturais nas empresas, o risco é de que o problema se agrave ainda mais, comprometendo a saúde dos trabalhadores e a competitividade das organizações.


📌 Seção de Opinião/Análise para complementar o artigo


Análise: saúde mental não pode ser tratada apenas com medicamentos

O crescimento explosivo no consumo de medicamentos psiquiátricos entre profissionais brasileiros revela uma ferida aberta no ambiente corporativo. Mais do que um recurso médico, o remédio se tornou um sintoma silencioso de estruturas de trabalho adoecidas.


Não se trata de demonizar o uso dos psicofármacos — em muitos casos, eles são indispensáveis e salvam vidas. O problema é quando eles passam a ser a única estratégia de enfrentamento, mascarando causas que seguem intactas: excesso de metas inalcançáveis, jornadas exaustivas, assédio velado e ausência de apoio humano dentro das organizações.


Enquanto empresas não assumirem a responsabilidade de construir ambientes mais saudáveis, a tendência é que profissionais continuem a se apoiar em medicamentos como forma de sobrevivência. Isso não é sustentabilidade, é esgotamento coletivo.


O silêncio também pesa: milhares de trabalhadores ainda escondem sua realidade por medo de julgamento, reforçando uma cultura de vulnerabilidade e isolamento. Falar sobre saúde mental precisa deixar de ser tabu para se tornar prática comum e estruturada, com acolhimento e prevenção.


Em resumo, o que a pesquisa escancara não é apenas o aumento do uso de remédios, mas a urgência de um debate honesto: o problema não está só nos indivíduos — está, sobretudo, no modelo de trabalho que ainda insiste em ignorar os limites humanos.








 


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