
Apenas 9% das pessoas com depressão recebem tratamento adequado, alerta OMS
Mais de 1 bilhão de pessoas convivem com problemas de saúde mental em todo o mundo, segundo relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta terça-feira (2) dois relatórios preocupantes sobre a saúde mental global. Os documentos revelam que menos de uma em cada dez pessoas (9%) com depressão recebe um tratamento minimamente adequado, apesar de a doença estar entre os transtornos mais comuns.
Atualmente, mais de 1 bilhão de pessoas no mundo convivem com algum problema de saúde mental, sendo a ansiedade e a depressão os mais prevalentes. De acordo com o relatório World Mental Health Today, em 2021 cerca de 14% da população mundial apresentou algum transtorno mental.
Leia também:
Vencer os ataques de pânico através da academia e exercícios
Novas Regras para Dispensação de Medicamentos com Retenção de Receita Entram em Vigor em 23 de Junho
Ansiedade e depressão: os transtornos mais comuns
A análise da OMS aponta que:
-
4,4% da população sofre de ansiedade;
-
4% convive com depressão;
-
As mulheres são as mais afetadas (53,1%), enquanto os homens representam 46,9%.
Apesar da alta incidência, grande parte dessas pessoas não recebe atendimento formal em saúde mental, o que agrava os impactos pessoais, sociais e econômicos.
Impacto econômico global
Os transtornos mentais representam não apenas um desafio de saúde, mas também um grande peso econômico. A OMS estima que:
-
As perdas anuais de produtividade global devido à ansiedade e à depressão chegam a US$ 1 trilhão;
-
O custo indireto inclui afastamentos do trabalho, queda no desempenho e maior pressão sobre os sistemas de saúde.
Ainda assim, o investimento público em saúde mental permanece extremamente baixo. Segundo o Mental Health Atlas 2024, os governos destinam, em média, apenas 2% dos orçamentos de saúde para essa área — índice que não muda desde 2017.
Desafios no cuidado em saúde mental
Outro ponto alarmante é que menos de 10% dos países completaram a transição para modelos de cuidado comunitário e centrado na pessoa, considerados mais eficazes no acompanhamento de pacientes.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, destacou que “transformar os serviços de saúde mental é um dos desafios de saúde pública mais urgentes”, reforçando que o cuidado não deve ser visto como um privilégio, mas como um direito básico de todos.
Ações necessárias segundo a OMS
Para mudar esse cenário, a OMS defende que os países invistam de forma mais ampla e consistente em saúde mental. Entre as medidas prioritárias estão:
-
Aumento do financiamento para serviços de saúde mental;
-
Reformas legais e políticas para garantir os direitos humanos;
-
Investimento em profissionais especializados na área;
-
Expansão do cuidado comunitário e centrado no paciente.
Apenas 9% das pessoas com depressão no mundo têm acesso a tratamento adequado, revelando um quadro crítico que exige ação imediata. Além de salvar vidas e melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas, investir em saúde mental também significa reduzir custos econômicos e sociais de longo prazo.
A OMS alerta: saúde mental é questão de prioridade global — e cada país tem a responsabilidade de agir para transformar esse cenário.



Nenhum comentário:
Postar um comentário