Novo teste detecta autismo analisando os olhos em apenas 15 minutos — entenda as ressalvas
Um método inovador, aprovado nos Estados Unidos, promete identificar sinais do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em crianças já com 1 ano e 4 meses até 2 anos e meio — tudo isso em apenas 15 minutos, por meio do rastreamento ocular durante a exibição de vídeos. Desenvolvido com a participação do neurocientista brasileiro Ami Klin, diretor do principal centro de tratamento de autismo dos EUA, o exame tem por objetivo antecipar o diagnóstico e possibilitar intervenções mais precoces
Como funciona
Durante o exame, a criança assiste a 14 vídeos curtos enquanto câmeras de rastreamento ocular monitoram seus movimentos de olhar. O sistema analisa, em tempo real, padrões de atenção — crianças neurotípicas tendem a focar em rostos e expressões humanas, enquanto aquelas com TEA costumam olhar para objetos ou outras partes do vídeo
O equipamento tem custo estimado em US$ 7.000 (aproximadamente R$ 40 mil), e o valor de cada exame gira em torno de US$ 225 (cerca de R$ 1.200). Desde agosto de 2023, já está em uso em centros especializados nos EUA, mas ainda não há previsão de chegada no Brasil, dependendo de aprovação pelos órgãos regulatórios nacionais .
Por que é importante
Esse método representa um avanço significativo no diagnóstico precoce do TEA, que tradicionalmente só se consolida após os 3 anos, mesmo que os pais percebam sinais antes dos 2 anos . Acelerando o diagnóstico, é possível iniciar terapias mais cedo, aproveitando a alta plasticidade cerebral dos primeiros anos de vida e potencializando o desenvolvimento da criança.
Contudo, há ressalvas
Especialistas brasileiros alertam que o autismo é um transtorno complexo, e reduzi-lo a um único marcador — como o comportamento visual — pode gerar diagnósticos imprecisos ou negligenciar nuances importantes . Além disso, outros fatores neurológicos ou ansiedade podem afetar os resultados e comprometer a confiabilidade do exame . Portanto, o teste deve ser visto como um auxílio complementar, não um substituto aos métodos clínicos tradicionais.
Para o Brasil: expectativa e cautela
Embora ainda sem data para implementação no país, a técnica desperta esperança por oferecer um diagnóstico mais rápido, especialmente em regiões com escassez de especialistas. O SUS, via Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, oferece apoio a pessoas com TEA em suas 577 unidades, mas o diagnóstico clínico continua sendo o padrão.
Resumo em tabela
| Aspecto | Detalhes |
|---|---|
| Idade alvo | 1 ano e 4 meses a 2 anos e meio |
| Duração do exame | Aproximadamente 15 minutos |
| Como funciona | Rastreio ocular durante vídeos, análise de padrões de atenção |
| Criador | Ami Klin (neurocientista brasileiro, EUA) |
| Status atual | Aprovado nos EUA desde agosto de 2023; ainda não disponível no Brasil |
| Vantagens | Diagnóstico antecipado, possibilidade de intervenção precoce |
| Limitações | Não substitui avaliação clínica; resultados podem ser influenciados |
| Custo do exame | US$ 225; equipamento custa cerca de US$ 7.000 |
A técnica de rastreamento ocular para detecção de autismo em apenas 15 minutos representa um avanço promissor na saúde infantil, oferecendo a possibilidade de diagnóstico precoce e acesso mais rápido às intervenções terapêuticas. Entretanto, é essencial que seu uso seja integrado a uma avaliação clínica abrangente, respeitando as complexidades do TEA e evitando diagnósticos imprecisos. Ainda sem previsão de uso no Brasil, o teste aguarda análise dos órgãos reguladores nacionais.




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