
Ministério da Saúde publica novas diretrizes para rastreamento do câncer do colo do útero
Portaria oficializa oferta do exame molecular de DNA-HPV no SUS; enfermeiros capacitados estão aptos para a coleta
O Ministério da Saúde publicou, no dia 20 de agosto de 2025, novas diretrizes para o rastreamento do câncer do colo do útero. A principal mudança é a incorporação do exame molecular de DNA-HPV ao Sistema Único de Saúde (SUS), em substituição gradual ao tradicional exame Papanicolau.
Recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o teste molecular permite identificar o subtipo do HPV presente no organismo. Em caso positivo, a detecção possibilita encaminhamento mais preciso para diagnóstico e tratamento, contribuindo para a redução da incidência de lesões precursoras e casos de câncer.
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Intervalo maior entre os exames
Com a adoção do DNA-HPV, o intervalo entre as coletas passa a ser de cinco anos, quando não houver diagnóstico do vírus. Além disso, a portaria ampliou a faixa etária de rastreamento: agora, mulheres entre 25 e 64 anos devem ser acompanhadas regularmente.
A identificação do subtipo do vírus é fundamental. Cepas como o HPV 16 e 18, responsáveis por cerca de 70% das lesões precursoras de câncer, exigem encaminhamento imediato para colposcopia. Havendo confirmação de doença cervical, a paciente será direcionada para condutas específicas.
Estruturação da rede assistencial
A Portaria SAES/SECTICS nº 13/2025 orienta os gestores do SUS a estruturarem a rede de atendimento, definindo serviços de referência e fluxos de encaminhamento. O documento também reforça a necessidade de informar a paciente ou responsável legal sobre riscos e possíveis efeitos do tratamento.
Enfermeiros capacitados poderão realizar a coleta
Assim como já acontece com o Papanicolau, a coleta do exame de DNA-HPV poderá ser feita por enfermeiros devidamente capacitados na Atenção Primária à Saúde (APS).
Segundo a enfermeira Gabriela Giacomini, da Câmara Técnica de Enfermagem e Saúde da Mulher (CTESM/Cofen), a técnica de coleta é semelhante ao exame anterior:
“O material é um pouquinho diferente, mas com treinamento básico o enfermeiro pode coletar. O papel do profissional de enfermagem é fundamental, tanto na prevenção com a vacina contra o HPV, quanto no rastreamento e na detecção precoce de lesões.”
Vacinação continua sendo a principal forma de prevenção
Apesar dos avanços no rastreamento, especialistas reforçam que a vacinação é a medida mais eficaz contra o câncer de colo do útero. O HPV está presente em quase 100% dos casos da doença, além de estar relacionado a outros tipos de câncer, como o de faringe, ânus, pênis e vagina.
De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil registra, em média, 17 mil novos casos anuais de câncer de colo do útero. Só em 2023, foram 7.209 mortes pela doença.
A vacina contra o HPV é ofertada gratuitamente no SUS e está disponível em:
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Dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos;
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Três doses para pessoas imunocomprometidas (HIV+, transplantadas e pacientes oncológicos);
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Também indicada para vítimas de abuso sexual, usuários de PrEP para HIV e portadores de papilomatose respiratória recorrente (PRR).
A conselheira federal Betânia Santos, coordenadora da Câmara Técnica de Enfermagem em Atenção à Saúde do Adolescente, Adulto e Idoso (CTEASAAI/Cofen), destaca a importância da imunização precoce:
“É essencial que os pais vacinem seus filhos na idade correta, antes do início da vida sexual. A vacina é mais eficaz quando aplicada antes do contato com o vírus.”
👉 Com a introdução do exame molecular de DNA-HPV e a ampliação das estratégias de vacinação, o Brasil dá um passo importante no combate ao câncer do colo do útero, garantindo mais prevenção, diagnóstico precoce e cuidado integral às mulheres.



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